Thursday, April 24, 2008

Memórias

“A memória é um espelho velho, com falhas no estanho e sombras paradas.”

(José Saramago, Cadernos de Lanzarote)

Memórias… Para que precisamos delas afinal? Recordar os bons e os maus momentos, na presença daqueles que mais amamos… é o mais lógico. No entanto, a memória tem o poder de ser selectamente selectiva. Brinca com a mente, prega partidas. Mas é nos recônditos da nossa mente que encontramos aquelas memórias que nos enriquecem a alma e o espírito.

Muitas vezes, as memórias que tenho são apenas nevoeiro. Uma pequena névoa mental, que atrofia o sistema dos sentimentos. Afinal, o que é a memória senão o sentimento puro? As memórias que tenho mais facilidade em armazenar são as piores. Aquelas que quero esquecer. Muitas noites passadas sem dormir e um lençol vermelho tornado vermelho pelo sangue que me corre nas veias. São estas as minhas piores memórias, as partidas que a minha mente prega.

Por vezes queremos esquecer, por vezes queremos recordar. Mas, a maior partida que a memória nos pode pregar é assombrar-nos para o resto da vida. Nunca deixar esquecer as coisas que queremos deixar passar. Paranóia, dizem uns. Doença, dizem os outros. Pensando bem as pessoas que, como eu, se deixam levar pela memória não estão paranóicas e muito menos doentes. Sentem demasiado, exageram, e por vezes dramatizam. E agora pergunto: É DOENÇA LEVAR TÃO A SÉRIO OS SENTIMENTOS?

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