(José Saramago, Cadernos de Lanzarote)
É consideravelmente interessante observar a passagem do tempo. Só começa a ser preocupante quando é já doença, preocupação com a idade, e, às páginas tantas, uma pessoa pensa “já percorri mais de metade deste meu caminho e não fiz nem uma pequena parte das coisas que gostaria de ter feito”. E pensa com razão, pois o tempo passa demasiado depressa e muitas vezes nós nem damos por ele. E, portanto, o essencial agora será preservar memórias, boas ou más, e fazer confissões acerca de coisas que nunca nos passaria pela cabeça dizer. Mas, hoje dizemo-las sem pensar nas consequências ou ter receio do que possa vir a acontecer.
A impulsividade deveria estar na ordem do dia, tal e qual como se apresenta. Já diz o ditado “quem nasceu para lagartixa nunca chega a jacaré”. Ora, bem vistas as coisas, cabe a cada um de nós escolher entre ser uma lagartixa ou um jacaré. E, para aqueles que se intrigam se vale a pena, eu respondo com Pessoa: “se vale a pena? Tudo vale a pena, se a alma não é pequena!”.
Só nós, bem lá nos recônditos da nossa mente, da nossa imaginação, podemos saber o que sentimos. Levantar-me da cama todos os dias, tentar sentir que a vida vale a pena, são tudo momentos desta pequena rotina a que posso chamar: A MINHA VIDA. E ,todos os dias ao passar na rua penso para comigo se esta gente que por aqui passeia repara neste ser que deambula no mundo sem alma.
E é nestas alturas que me apetece perguntar:
“Valerá a pena olhar duas vezes para as pessoas SEM ALMA?”
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